Janot diz que foi armado ao STF com intenção de matar Gilmar Mendes; ministro sugere 'ajuda psiquiátrica' a ex-PGR

Redação Por: Redação

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Publicado em 27/09/2019 16:02h

Janot diz que foi armado ao STF com intenção de matar Gilmar Mendes; ministro sugere 'ajuda psiquiátrica' a ex-PGR

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e o ministro do STF Gilmar Mendes — Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STF e Carlos Humberto/SCO/STF

 

Ex-procurador-geral disse que decidiu matar o ministro após Gilmar ter inventado história sobre sua filha, mas desistiu por 'bom senso'. Ministro disse lamentar 'impulsos homicidas' de Janot.

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot afirmou em entrevista a jornais que, em um determinado momento em que estava à frente da Procuradoria Geral da República, entrou armado no Supremo Tribunal Federal (STF) com a intenção de matar o ministro Gilmar Mendes e se suicidar em seguida.

A revelação está em um livro de memórias de Janot. No livro, ele faz um relato do episódio, mas não menciona o nome do ministro. Nesta quinta-feira (26), em entrevista aos jornais "O Estado de S. Paulo" e "Folha de S.Paulo" e à revista "Veja", o ex-PGR revelou que se tratava de Gilmar Mendes.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (27), Gilmar Mendes disse lamentar o fato de que "por um bom tempo, uma parte do devido processo legal no país ficou refém de quem confessa ter impulsos homicidas". O ministro disse ainda que está "surpreso" com a declaração de Janot, recomendou "ajuda psiquiátrica" ao ex-PGR e chamou plano de Janot de "tentações tresloucadas".

Segundo Janot, o episódio ocorreu em 2017, depois que ele apresentou um pedido de suspeição de Gilmar Mendes em um processo que tramitava no Supremo. Na ocasião, o então procurador-geral pediu a suspeição do ministro em casos relacionados ao empresário Eike Batista, porque a esposa dele – Guiomar Mendes – era sócia do escritório que defendia o empresário.

De acordo com o ex-PGR, Gilmar Mendes reagiu ao pedido de suspeição com um ofício enviado à presidência do STF no qual afirmava que a filha de Janot advogara para a empresa OAS em um processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

"Ele inventou uma história que a minha filha advogava na parte penal para uma empresa da Lava Jato. Minha filha nunca advogou na área penal. E aí eu saí do sério", disse Janot a "O Estado de S.Paulo".

Ele afirmou que após o episódio foi tomado por uma "ira cega" e decidiu matar o ministro. A intenção, segundo o relato, era atirar em Gilmar Mendes, antes do início de uma sessão do Supremo.

"Num dos momentos de dor aguda, de ira cega, botei uma pistola carregada na cintura e por muito pouco não descarreguei na cabeça de uma autoridade de língua ferina que, em meio àquela algaravia orquestrada pelos investigados, resolvera fazer graça com minha filha", diz Janot no livro, de acordo com a "Folha de S.Paulo".

Nas entrevistas, Rodrigo Janot afirmou que o plano era se suicidar logo depois de atirar no ministro.

O ex-procurador-geral da República afirmou que só não concretizou o plano porque, no momento, a "mão invisível do bom senso" não permitiu.

Quatro meses depois, Janot deixou o comando da PGR após quatro anos de mandato. A gestão de Janot no comando do Ministério Público Federal foi marcada pela maior investigação já realizada pelo órgão contra a corrupção.

Sob a condução de Janot e uma equipe de dez investigadores, a Operação Lava Jato levou à abertura de centenas de investigações de políticos e empresários.

 

Fonte: G1

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